Conhecer e Obedecer – David Vieira de Campos

A vida cristã inicia-se quando o homem natural é salvo em Jesus Cristo, e se torna detentor da vida eterna. Um equívoco para muitos cristãos é associar a vida eterna apenas à vida pós-morte física. Tal equívoco denota falta de conhecimento, pois o próprio Senhor Jesus nos revela “Eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância.” João 10:10. Esta vida proposta por Jesus Cristo começa ainda neste mundo, após a conversão, e durará eternamente. Ainda sobre a mesma Jesus nos revelou em que consiste “E a vida eterna é esta: que te conheçam a Ti, o Único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.” João 17:3. Ora, esta faceta da caminhada cristã é – tristemente – tantas vezes negligenciada. Infelizmente é frequente constatar que existem crentes que frequentam as congregações locais há décadas tendo no entanto muito pouco conhecimento de quem Deus é, e por conseguinte um fraco e superficial relacionamento com Ele. Também quanto a isso a Palavra de Deus nos indica que “O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento…” Oséias 4:6. É portanto da maior importância que possamos conhecer Deus, antes de tudo o resto. Sem que conheçamos Deus, sem que tenhamos um relacionamento pessoal, íntimo e directo com Ele, é impossível agradar-Lhe.

 

Colocado este pilar fundamental, a saber; conhecer Deus, e decorrendo desse mesmo, impõe-se um outro de extrema importância: Obedecer-Lhe. De facto por falta de conhecimento ou então de entendimento constatamos tantas vezes uma compreensão equivocada daquilo que significa o Reino de Deus e fazer parte desse Reino. Ao contrário das monarquia terrestres modernas, este é um reino em que O Soberano tem forçosamente que exercer a Sua Soberania, em que cabem a Ele o trono e as decisões sobre nós mesmo e a nós simplesmente nos cabe obedecer. Faz não muito tempo ouvia um irmão de origem Africana, que é responsável de uma igreja na Europa mas ainda tem contacto regular e presencial com igrejas locais em África, fazer a seguinte observação: a Igreja na Europa, outrora origem de missionários usados por Deus para levar o Evangelho a todo o mundo, de um modo geral, está hoje demasiado acomodada e busca demais a sua própria estabilidade e conforto. Perdeu-se algures nas últimas décadas o sentido de obediência a Deus sem excitações e por conseguinte aos ensinamentos bíblicos. E este amado irmão dava exemplos e fazia o contraponto com a igreja em África, no Médio Oriente e na Ásia. De facto em quaisquer dessas latitudes é difícil a um Cristão verdadeiro buscar conforto material e/ou social, restando apenas a escolha clara e simples entre obedecer ou não aos ensinamentos bíblicos, tantas vezes, como sabemos, colocando em risco a sua própria vida. Desde logo obedecer ao chamado do Salvador “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas.” Mateus 11:28-29, passando pela grande comissão, não descorando o batismo nas águas “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado.” Marcos 16:15-16. Mas além destes também tantos outros mandamentos práticos, descritos pela Palavra de Deus, da observação dos quais Jesus declara “Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando.” João 15:14.

 

A carta aos Efésios nos ensina que “Pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus Não vem das obras, para que ninguém se glorie; Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.” Efésios 2:9-10. Muito haveria para analisar e escrever sobre este texto, mas mesmo a sua mais simples e directa leitura nos permite perceber inequivocamente que somos salvos (não só mas também) para andar em boas obras, as quais Deus já preparou para que andássemos nelas. Tal ensino é corroborado e complementado na carta de Paulo aos Romanos quando diz “Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” Romanos 12:1-2. Este sacrifício dos nossos corpos é, antes de mais, um sacrifício de obediência em detrimento de nós mesmos, das nossas vontades e/ou prazeres e conforto. “Porém Samuel disse: Tem porventura o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do Senhor? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros.” I Samuel 15:22.

 

Por essa razão creio ser pertinente esta análise e subsequente chamada de atenção. A ilustração que vem à minha mente ao pensar nestes dois conceitos é a de duas pernas com as quais caminhamos na vida cristã. Uma é o conhecimento, a outra é a obediência. Se tentarmos caminhar apenas com uma delas não iremos muito longe (se chegarmos mesmo a sair do ponto de partida). Se descorar-mos uma das duas, o nosso caminhar será debilitado, como em uma brincadeira de criança em que andamos “ao pé-coxinho”. Esta ideia pode parecer risível, mas talvez seja mais presente do que muitas vezes imaginamos. Cabe a cada um de nós analisar-se a si mesmo à luz da Palavra de Deus e em espírito de oração perceber até que ponto está ou não a caminhar a vida cristã em bom equilíbrio, fazendo uso de ambas as pernas, na direcção certa.

 

David Vieira de Campos

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