Que é o h(H)omem? – Paulo Figueiredo Carvalho

Rascunhos pensados sobre o homem, o Homem, a Gillette, Toxicidade e Reconciliação.

 

Génesis 1 e 2, Levítico 5, Números 12, Salmo 8, Mateus 1, Romanos 3, Gálatas 3, Efésios 1 e 2, Colossenses 1…

 

… relatos, orações, instruções, mandamentos, declarações e conselhos deixados ao homem,

para que (de entre outras coisas importantes):

 

– não separe aquilo que Deus criou uno,

para que a união não seja sectária;

 

– não compartimentalize o que Deus complementalizou,

para que a diversidade não seja conseguida à custa de sub-sub(➿)classes;

 

– não destrua o que Deus criou.

para que o homem imite a Criação na beleza e não a Queda na corrupção;

 

– não volte a separar aquilo que Deus tornou a unir.

 

A meio do Salmo 8, o Rei Israelita David pergunta-se “que é o homem, para que te lembres dele?”. O que é o Homem? O que somos nós?

Somos criaturas belas e criadas com dignidade por sermos à imagem (o sentido é quase de ser figura, espelho ou até de uma réplica que aponta para o original) e semelhança de Deus; por isso somos capazes de tanto bem, tanto sacrifício valoroso, tanta iniciativa bondosa. Capacidade essa do bem que, no fim notamos, vem não de nossa invenção, mas do facto de alguém (who might be?) ter posto a Sua Imagem e semelhança em nós.

MAS

Somos criaturas caídas e desprezíveis por termos desfigurado essa imagem e escolhido a horribilidade ao invés da beleza encontrada no Criador (a isto chama-se Queda – o momento em que o pecado entrou na existência humana           ). Por isso, somos tão capazes de fazer o mal (e incapazes de fazer o bem último: o bem feito para a Glória de Deus), de agir com indiferença, de criar divisões, de discriminar aqueles que têm em si a imagem de Deus, de tratar o nosso interior com paninhos quentes e o interior dos outros com facas afiadas e envenenadas.

 

Como cristãos, somos criaturas desprezíveis reconciliadas pela graça, em restauração ‘in progress’… da imagem de Deus em nós.

 

Por isso, como cristãos, somos uns terríveis coitados se continuamos a separar aquilo que Deus voltou a unir.

Nos últimos tempos esta curta metragem da Gillette tem rodado o mundo pelo seu caráter interventivo, gerando aplausos cegos do mundo liberal e desconforto comichoso do mundo conservador.

Vejam:

https://www.youtube.com/watch?v=koPmuEyP3a0

 

Qualquer que seja a reação que tenhas ao ter visto o vídeo, o facto é que – mesmo apesar das claras motivações de esquerda por detrás do dito – o ‘mau’ visto no homem é real e grave.

Mais recentemente, surgiu uma resposta ao vídeo da Gillette.

Visualizem:

https://www.youtube.com/watch?v=x_HL0wiK4Zc

Não podemos ver o vídeo original da Gillette sem ver este vídeo.

Também não podemos fazer o oposto.

Considera a toxicidade, mas não te esqueças do plano original. Considera o original, mas não te esqueças do veneno – que já agora foi o pecado que trouxe, não a sociedade patriarcal (ainda que a corrupção do pecado afete qualquer tipo de liderança). Os dois completam-se, ou anulam-se.

Os dois nos mostram aquilo que o Homem (não só os homens) também foi criado para ser: um valente que sabe o que é ser responsável, dar a sua vida pelos outros (isso inclui sacrifício), amar verdadeiramente.

Mas também o que o Homem não foi criado para ser. Também nos mostram o mal que fazemos aos outros e consequentemente a nós próprios quando repetimos a queda (e com certeza o fazemos).

 

Mas, além disso os dois nos mostram que sozinhos não conseguimos. Não fomos feitos sós. Não somos autónomos. Não fomos feitos para estarmos separados do que é ser imagem de Deus. E isso inclui viver em interdependência para com as nossas irmãs, mães, esposas, avós, filhas, amigas e vizinhas.

 

Mais do que tudo isto, nada faz sentido sem aquele que sempre manteve tudo unido, complementado; que sempre soube o que era o amor, a responsabilidade; Aquele que era o próprio Criador e a própria “imagem do Deus invisível, o primogénito sobre toda a criação” (Col 1.15), aquele que é a cabeça de um corpo uno (1.18), aquele onde habitava “toda a plenitude”, aquele onde foi feita “a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele [reconciliando] consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra como as que estão no céu” (1.20). Nós, “que antes [estávamos] longe, [viemos] para perto pelo sangue de Cristo, pois ele é a nossa paz. De ambos os povos fez um só e, derrubando a parede de separação, em seu corpo desfez a inimizade” (Ef 2.13-14 – o contexto é a aproximação na salvação do povo judeu do gentio, mas a eliminação de separação na raça humana pelo sacríficio de Cristo não se fica por aqui, antes pelo contrário). Deus manifestou “o mistério da sua vontade”, aquele “de fazer convergir em Cristo todas as coisas, tanto as que estão no céu como as que estão na terra” (Ef 1.9,10). Assim, “tendo chegado à fé (…) todos sois filhos de Deus (…) Não há judeu nem grego, não há escravo nem livre, não há homem nem mulher, porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gal 3.25,26,28).

Por isso, é em Cristo que se encontra a reconciliação do Homem com Deus e do homem com a mulher.

Continuarmos a alargar fossas motivados pelo mesmo tipo de ativismo vitimizado encontrado na apologética compulsiva de libertação encontrada na nossa cultura (não quer dizer que não haja acusações legítimas) tira o foco do poder reconciliador do evangelho – na reconciliação feita por Cristo.

Não nos afastemos da realidade miserável, ofensiva, corrupta do homem ao dilatarmos as diferenças das classes ofendidas; e não nos afastemos do poder reconciliador do evangelho ao focarmos no forçar esquizofrénico de uma igualdade plenamente pura e puramente plena – na restituição esquizofrénica de um status quo que quer o céu na terra, sem querer tirar a terra do céu (a imoralidade terrestre da perfeição celestial, portanto).

 

Lutemos pela igualdade e pela liberdade. Sim e sim.

Mas não esqueçamos que a verdadeira e última igualdade foi Cristo que reconquistou.

E

Não esqueçamos que a verdadeira e última liberdade foi Cristo que reconquistou.

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